Cafés especiais do Brasil consolidam novos mercados

DATA 01/10/2012
Cafés especiais do Brasil consolidam novos mercados

Depois de o Brasil ter se tornado o maior produtor e exportador e o segundo maior consumidor de café do mundo - conquistas essas mantidas ao longo de sua história graças também à detenção pelo País da melhor ciência e tecnologia disponível para os produtores, garantindo produtividade e sustentabilidade à cultura – o País desponta como um dos maiores fornecedores mundiais de cafés especiais, diferenciados por sua qualidade e agregação de valores socioambientais. Atualmente praticamente todas as regiões cafeeiras do Brasil produzem grãos especiais, como o Cerrado, Zona da Mata e Sul de Minas Gerais, Serra do Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Paraná.

“Que o Brasil há muitos anos produz cafés de qualidade excepcional e variada não é novidade, inclusive pela sua diversidade de climas, altitudes e tipos de solo. O que é novo é o fato de o setor produtivo aguçar cada vez mais a visão de mercado impulsionado pelo crescente movimento rumo à diferenciação do produto, grande parte dele devido às novas exigências do mercado externo e interno. Essa tendência é irreversível e cresce em ritmo acelerado, trazendo novas oportunidades de negócios e desenvolvimento para o País, pois o preço também é diferenciado”, diz o professor Flávio Borém, da Universidade Federal de Lavras – Ufla, instituição participante do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

Segundo o professor, por muitos anos, o Brasil foi conhecido como fornecedor de café comum, com pouca qualidade, comparativamente a outros países produtores. “No mercado internacional, o Brasil ainda possui a imagem de grande produtor de um único tipo de café. Essa é uma imagem equivocada e bastante negativa. Na verdade, a pluralidade dos sabores e aromas dos cafés do Brasil deve ser sua marca mais notável refletindo a exuberância de sua natureza e diversidade cultural de seu povo. Isto precisa ser mais bem compreendido e explorado para o bem da nossa cafeicultura”, lembra.

Diversidade relacionada à qualidade e sistemas de produção – Segundo Flávio Borém, é possível encontrar várias definições para café especial, refletindo muitas vezes os efeitos da cultura, costumes e valores de cada povo, região ou país e estando associado ao prazer que a bebida proporciona. “O café especial é aquele que se distingue por uma característica peculiar ou grupo de atributos singulares possuindo, portanto, uma especialidade ou especificidade na percepção de seus atributos sensoriais e de seu sistema de produção. O café pode ser especial por possuir sabor e aroma únicos e distintos do café comum, por ser produzido em sistema orgânico, ser de origem controlada ou até mesmo por ser raro e exótico”, explica.

O professor esclarece que mesmo sendo os aspectos sensoriais os mais relevantes na caracterização de um café especial, os atributos ambientais e sociais cada vez mais influenciam na caracterização do produto. “Nesse caso, como o atributo não é percebido sensorialmente, a diferenciação é obtida por meio de certificações de origem e uso de selos de garantia. Os mais conhecidos no mercado atual são os certificados ambientais como da Rain Forest, os cafés orgânicos e os sociais, como o Fair Trade, consumido em países desenvolvidos”, completa. O pesquisador Sérgio Pereira do Instituto Agronômico – IAC, instituição participante do Consórcio Pesquisa Café, acrescenta ainda as certificações UTZ e Certifica Minas.

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